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“Sucesso da Escola Superior de Desporto da Rio Maior é a maior ameaça à sua continuidade”

Em Educação

O crescimento exponencial do número de alunos expõe a Escola Superior de Desporto de Rio Maior ao problema da falta de professores, correndo o risco de colapsar, segundo o diretor da ESDRM.

A Escola Superior de Desporto de Rio Maior- ESDRM, do Politécnico de Santarém, deu as boas-vindas aos novos estudantes para o ano letivo 2021/22, no passado dia 29 de setembro.

Com esta sessão oficial de acolhimento iniciou-se mais um ano letivo, que traz de volta o regime presencial.

O diretor da Escola, Luís Cid, após recordar as dificuldades superadas no ano anterior, que apenas foram ultrapassadas com o envolvimento de toda a comunidade escolar, focou-se nos desafios do presente, que se tornaram mais urgentes com os excelentes resultados do ano em curso.

Luís Cid lembrou que a escola teve “100% de colocações, que representam 36% das colocações do Politécnico de Santarém” em que dos 21 cursos do Politécnico, 10 preencheram todas as vagas, e destes, “metade são da ESDRM”. Afirmou ainda que as classificações de entrada “continuam a aumentar, com 4 dos nossos cursos a estar no top 5 do Politécnico com média de entrada a rondar os 13,6 valores”. Na primeira fase do Concurso Nacional de acesso, os cursos da ESDRM tiveram “1344 candidatos, que representam uma procura 5 vezes superior às vagas disponíveis.”

Este sucesso de recrutamento veio colocar mais pressão nos desafios que já antes a ESDRM tinha, destacando dois. O diretor destaca a construção da residência de estudantes, “processo demasiado longo e desgastante para ter uma infraestrutura mais do que necessária. E que o digam a viva voz os nossos alunos, em especial os novos estudantes, que têm enormes dificuldades em encontrar casa em Rio Maior”.

O segundo desafio, que ameaça a continuidade do projeto que é a ESDRM, é o dos recursos humanos, nomeadamente, a falta de docentes, que é “o nosso maior desafio neste momento”, reclamando que “não é possível, que uma Escola que vai chegar em breve aos 1100 alunos tenha apenas 39 docentes de carreira (5 dos quais sem Distribuição de Serviço Docente-DSD).”

Sublinhou “que não é nenhum exercício de retórica, é uma evidência: o nosso projeto educativo está em risco de colapsar. Se nada for feito não conseguiremos aguentar mais o barco. Temos o maior rácio de alunos por docente de carreira de todas as Escola do Politécnico (cerca de 30 alunos/professor, quando deveria ser um pouco mais do que metade). Temos uma tremenda exposição ao risco, pela necessidade elevada de contratação externa (cerca de 20 professores), que nos cria enormes dificuldades de preparação dos anos letivos e de sustentação de todas as tarefas, para dar respostas aos desafios internos e externos.”

Diretor da Escola, Luís Cid

Muito agastado com a possibilidade de ter de reduzir o crescimento da Escola pela falta da contratação de docentes, lamentou ter vagas que não podem levar a concurso porque “não temos docentes”, já que o crescimento do número de alunos, não foi acompanhado pelo crescimento do número de docentes.  Por isso deixou expresso um aviso aos decisores, “caso este cenário se mantenha, não teremos outra alternativa, senão o de reduzir as nossas vagas para metade”, questionando se essa for a realidade no futuro “onde está a justiça nisto?”.

A sessão terminou com a intervenção de João Rodrigues, presidente da Associação de Estudantes ESDRM, que na sua mensagem de boas-vindas aos alunos garantiu que a Associação de Estudantes está “de braços abertos para vos ajudar no que precisarem”, incentivando-os a aproveitar para ingressar nos movimentos que a escola oferece, “não tenham medo de se aventurar nesse campo, ingressem nas tunas, quer masculina quer feminina, núcleos, AE e comissão de praxe, acreditem quando vos digo que são estes órgãos e fazer parte deles que tornam o vosso percurso académico muito mais rico e memorável”.

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