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Viagens ao interior da literatura de crime e mistério (5): Chegámos à Idade do Ouro!

Em Leituras

Entre a terrível Depressão de 1929 (aliás, mesmo antes…) e o fim dos anos quarenta, o mundo vive submetido, em grande parte, a regimes de opressão ditatorial: a Alemanha, desde 1933, o Japão desde 1931 (aliança Gumbatsu- Zaibatsu); a Itália, desde 1922; Portugal, desde 1926; a Roménia, desde 1938; a Espanha, após o guerra fratricida franquista de 1936; a Polónia, desde 1937; a Hungria, desde 1932; a Áustria, desde 1934, sem falar da peculiar ditadura totalitária de Josef Estaline, na U.R.S.S., desde 1926, etc.

Nos escassos países onde subsiste ainda, com persistente teimosia, um regime pelo menos nominalmente democrático, a classe média (alta, média e baixa, operariado qualificado) anseia por padrões de vida calmos, odiando a violência[1]. Que guerra já tivera uma, que levara milhões de mortos consigo… fora outros tantos que a pandemia gripal aniquilara…

Permite-se apenas (dado que o crime, seja qual for, subverte esta visão do mundo) a “transgressão” (que adora), na ficção policial, em livro, magazine, “pulp”, “sketch” radiofónico ou filme.

Daí o enorme incremento e crescente êxito deste género, por qualquer uma dessas vias.

Que têm um evidente cartão de identidade.

Um romance da “época de ouro” quase se pode identificar por quatro ou cinco frases, que surgem sempre em todas as obras do período: “… tirando fumaças rápidas do mais velho e escurecido dos seus cachimbos …”; “… destruíram, como um bando de búfalos, as pegadas do assassino …”; “foram cometidos dois crimes em Londres, com dez anos de intervalo e em circunstâncias que desafiam toda a lógica“; ”o quarto não tinha janela e as portas estavam ambas aferrolhadas”; “eu já tinha a resposta ao enigma. Que fazer agora? Pedir às autoridades a exumação do cadáver?”.

Há um ou mais assassínios, cercados por um oceano de “scones”, chá com ou sem leite e açúcar, “tweed”, rosas premiadas, Dunhills, cachimbos Peterson, um Old Parr, Scotland Yard e N. Y. P. D. ou Chicago Attorneys. Quem cometeu o crime? Como prová-lo? E temos o padrão da época.

Clayton Rawson, no início da sua obra “Death from a Top Hat”, pela boca do seu Watson, o publicitário e jornalista Harte, (estamos em 1938) dá-nos uma definição excelente do que era o romance policial para a geração da “Idade do Ouro”:

 “…o romance policial é uma forma única de literatura, uma espécie de “puzzle” complicado, que se apoia mais na estrutura da trama do que na [qualidade] da escrita. E isto, obedecendo quase literalmente a fórmulas matemáticas. Trata-se de uma competição intelectual entre o leitor e o autor, que estabeleceu, ele próprio, o CODE DUELLO; um conjunto de regras, hoje em dia tão familiares a todos os amadores [do policial] que as vendas do livro seguinte sofrem se [o autor] se permite transgredi-las, por pouco que seja.

Essas regras exigem que a história seja moldada num modelo pré-estabelecido, desenrolando-se numa trama tipificada que parecia outrora ser a fonte de variações múltiplas, mas aparece, hoje, gasta até à trama.

Principais peças do “puzzle”: o detetive, a forma como o crime foi cometido, os indícios e a solução-surpresa. São elementos pouco numerosos e a sua permuta mais do que limitada. O romance policial constituiu uma mina de ouro para numerosos escritores, mas o incremento constante da procura, nos últimos dez anos, quase que esgotou o filão. Para quê escrever uma história policial, se todas as ideias boas já foram utilizadas, todos os golpes de teatro explorados, todas as subtilezas banalizadas?

O detetive, por exemplo.

Detetive Nero Wolfe

Personagens, numa ordem mais ou menos cronológica: Dupin, Lecoq, Sherlock Holmes, Martin Hewitt, o Professor S.F.X. Van Dusen, os Drs. Thorndyke e Priestley, o Padre Brown, Hercule Poirot, Max Carrados, “The Old Man in the Corner”, Roulletabille, Uncle Abner, Arsène Lupin, Philo Vance, Lord Peter Wimsey, Philip Trent, Perry Mason, Inspector French, Ellery Queen, Charlie Chan, Anthony Gethryn, Dr. Fell, Tatcher Colt, Sam Spade, Tenente Valcour, Hildegarde Withers, Sir Henry Merrivale, Nero Wolfe, Roger Seringham, Drury Lane, etc. etc.

Ora bem, tentem imaginar agora um detetive cujas manias (a “regra” diz que elas são necessárias) sejam originais, sem ser bizarras.

Ou, em alternativa, deem vida a um investigador cujos métodos de investigação sejam totalmente novos (e credíveis)!

Pensem a seguir nos meios de assassinar.

Todo o catálogo de homicídios já foi usado: assassinatos por balas, facadas, asfixia, golpes de matraca, afogamento, bomba, gaseamento, envenenamento, estrangulamento, decapitação, defenestração…

As variações sobre estes temas de base atingem o delírio: punhais de gelo, balas de sal, bolhas de ar comprimido injetadas nas veias, lâminas atiradas por espingardas de pressão de ar, vírus do tétano misturado na pasta dentífrica, sem contar com o imenso repositório de mecanismos secretos cuja simples descrição, nalguns casos, chegaria para fazer morrer de medo qualquer alma sensível – o que, entre parêntesis, também já foi utilizado.

E os indícios de prova!!! É o elemento com o qual o autor mais pode jogar, dado depender da época, do local e das circunstâncias. A torneira do fogão a gás e o espartilho foram substituídos pelo isqueiro e pelo soutien; apesar disso, fica-se estupefacto pelo número de indícios que já tiveram uma longa vida de trabalho e que bem mereceriam uma confortável reforma: o cão que ladra, a cinza de charuto na chaminé, as marcas de batom no cigarro, os documentos queimados, o criptograma, os botões de calça arrancados (arranjem vocês outros exemplos…).

A genialidade de um escritor poderia não ser posta em causa se ele se deixasse cair em soluções de facilidade em matéria de indícios, mas não esquecesse a “solução-surpreendente”.

O problema consiste, aqui, em atingir o objetivo sem dar ao leitor o sentimento que lhe “enfiaram a touca”.

São autorizados sete a oito suspeitos e nada mais e, num momento ou outro, cada um deles deve ter cometido um ato repreensível: a bela loira de ar angélico, o jovem e leal herói de cabelos encaracolados, a austera tia da vítima, o doutor, o advogado, o patrão, mesmo a avozinha, que está paralisada desde tempos imemoriais, sem esquecer a pequena Ethelinda, de apenas nove anos, e o seu gato, de garras envenenadas.

Todos são culpados de algo, separada ou conjuntamente, e o leitor sabe-o. Procurando escapar a este dilema, muitos autores aventuraram-se habilmente para fora dos caminhos tradicionais e atribuíram o papel de vilão ao detetive, ao juiz, ao presidente do júri, por fim, numa tentativa desesperada e derradeira de ser originais, ao narrador ele próprio [alusão a Agatha Christie e ao seu Roger Ackroyd]!

Depois disto, já não resta senão – se estiverem para aí virados – atribuir as culpas ao editor do livro ou ao leitor !!!!”

Esta interminável citação (em tradução minha) tem o mérito de nos identificar, magistralmente, os padrões do gosto da época, que de facto, poucos se atreveriam a violar.

Os livros, escritos nos anos vinte e sobretudo trinta e quarenta (na maioria, no Reino Unido, escritos sobretudo por mulheres), são algo que está impregnado de características do “soft Victorian”, para resposta a novas necessidades de uma classe média crescentemente urbanizada, conservadora e com mais lazeres.

Agatha Christie; Dorothy Sayers, Ngaio Marsh, Margery Allingham, Patricia Wentworth, Josephine Tey, Georgette Heyer, Gladys Mitchell, Nancy Hermione Bodington (Shelley Smith), Christianna Brand, Margaret Yorke produzem obras, por vezes de inegável qualidade, mas que quase não variam no enredo, na escolha do cenário e do estrato social dos investigadores que deram à luz.

Margaret Yorke

De um modo geral, sempre “decifradores”, polícias amadores de boa sociedade, operando, como é próprio de quem só se preocupa com a elite das elites, gentry urbana ou rural, estratos sociais da aristocracia ou classes médias, sem problemas de recursos financeiros ou de ganhar penosamente a vida. Como um pobre diabo de um polícia oficial (aliás, frequentemente humilhado pelos brilhantes amadores e tratado como pessoa que entra pela “porta das traseiras”).

Os investigadores amadores, não. Colecionam edições raras ou porcelanas chinesas (Philo Vance, Peter Wimsey), são grandes conhecedores de arte, música e de vinhos, gourmets de eleição (Nero Wolfe). Guiam carros raros ou velhas relíquias elitistas (o Lagonda de Hastings, o Duesenberg de Ellery Queen), aristocráticas e velozes banheiras, como Campion ou Simon Templar (com o seu Hirondelle).

Vivem bem, em casas de alto nível, ou então, antecipam o “Greenwich Village” de trinta anos depois: a casa de loucos de Albert Campion; o Zoo- quinta (muito ao estilo Frank Capra) de Tecumseh Fox, antecedendo o casarão, igualmente surrealista, com orquídeas no telhado, cozinheiro suíço e orgias gastronómicas do paquidérmico Nero Wolfe, graças à generosidade de Rex Stout, que os criou a ambos.

Vestem-se, ou com o ambíguo e absurdo (mesmo na época) conservadorismo polainídeo do velho gaiteiro, que era Poirot, ou o narcísico dandismo de Wimsey ou Templar (precedendo James Bond…).

Praticam desportos de “jet-set” e ganham os primeiros prémios; foram à guerra e ganharam inúmeras medalhas e ferimentos discretos (nunca incapacitantes); colecionam premières de óperas, bailes de debutantes de alta sociedade e concertos de luxo ou óperas; não faltam a um cocktail, a um jantar in, a uma conferência ou peça, de temática policial ou skakespereana, a uma vernissage ou exposição de cães premiados ou de rosas. E estão em todos os casamentos, jantares formais e batizados da gentry britânica ou da Costa Leste americana. Conhecem sempre os assassinados, os suspeitos (“ah, sim fomos colegas em Harrow… Oxford…”).

Oito atrizes que marcam o sucesso das séries de Miss Marple, criada por Agatha Christie

Com tudo isto (que mataria de exaustão dez elefantes de sólida constituição física) conseguem ainda tempo para saber tudo de sociologia, história e política mundial, ler todos os quotidianos de referência (sem falhar um) e frequentarem tudo o que houver de viagens inaugurais de transatlânticos, revolucionários aeroplanos desportivos, fins de semana aristocráticos de caça à raposa ou ao tetraz, inaugurações de novos bares americanos, restaurantes afegãos ou dancings argentinos, exposições de rosas da Crimeia, concertos do Albert Hall ou exibições privadas de um necromante urdu, recém-chegado a Londres….

E, pasme-se, Deus outorgou-lhes, graças ao seu Verbo, portentoso como a Luz, inúmeros éons extra (mas mais do que suficientes para um sucesso pleno e total, sempre…) afim de que possam investigar todos os crimes possíveis, esconder-se do suspeito atrás de uma cabine telefónica, durante longas horas, interrogar inúmeras testemunhas, ter mais uma discussão com os (quase sempre) obtusos polícias oficiais (ridicularizados, caricaturados à exaustão, ou reduzidos a fiéis moços de recados) e desmascarar (sempre!) os perversos criminosos, a um ritmo alucinante.

O que, como é evidente, aquieta a indefesa população britânica ou ianque, aterrada com a enorme quantidade de assassinos cruéis e tarados que a rodeiam … e de que nunca se dera conta!

Para variar um pouco, os Zeus omnipotentes que os criaram (no fundo, boas pessoas, enquanto demiurgos), concebem, sem pressas, nem remorsos, a título de variação e reconforto para os mais ruralizantes, pacatas senhoras idosas de boas famílias, dedicadas sobretudo à jardinagem e ao tricot, à confeção competente de Apple Pies e Dundee cakes, e à organização de quermesses da paróquia.

Embora seja dizer só uma parte da verdade dizer que estas bondosas velhotas se ocupam ainda, com igual eficácia, da filantrópica tarefa de enviar pessoas para a forca…

Ou seja, estes antepassados da telenovela (ou sucessores de Eugène Sue e Paul Féval), estes heróis (tão indispensáveis como o crime) são o fio condutor que, livro após livro, consagra o seu Autor e dá ao leitor a reconfortante sensação de conviver com um “mundo” que, no espaço da leitura, é também o seu.

Lord Peter Death Bredon Wimsey é filho do Duque de Denver; Mrs. Bradley é Dame (Beatrice Adela Lestrange) e, como o Honourable Roderick Alleyn, filha de barões; Frank Abbot, típico elemento da gentry; Albert Campion, provável bastardo do corpulento libertino, que foi Eduardo VII; Philo Vance é um bostonian endinheirado e mimado, mais pedante que Oscar Wilde e George Brummell juntos; o escocês, erudito e blasé, Alan Grant é de origem elevada; o monótono citador compulsivo Shakespeariano, Sir John Appleby, é uma enciclopédia com pernas; o conhecido poeta e intelectual Adam Dalgliesh (já na segunda geração do género, nos anos setenta); o Inspetor, visconde Lynley, devem todos ter sangue azul.

Ou, pelo menos, como Miss Jane Marple, Bea Silver ou Prudence Beresford, serão filhos de pastores anglicanos de boa estirpe (High Church).

O que, reconheçamo-lo, dá uma legitima vaidade aos empregados de balcão de Oxford Street, empregadas de confeitaria ou escriturários de um Ministério, que com eles convivem intimamente, a cada novo romance. À noite e aos fins de semana.

As americanas já do século XXI, Martha Grimes e Elizabeth George, vendendo “British” aos reformados do Colorado ou aos informáticos de Nova Iorque, seguirão este modelo sem vergonha, levando-o ao exagero.

Este acentuar snob da veneração pela aristocracia e classes altas (que o excelente filme de Robert Altman, “Gosford Park”, tão bem acentua), tem  uma razão concreta.

O romance policial era então um “romance popular” e, pelo menos os leitores com poder económico para o comprar, pretendiam que as suas personagens refletissem, na pior das hipóteses, um nível social para eles inatingível; na melhor, pessoas de alto padrão social, “colunáveis”, diríamos hoje, com qualidades julgadas indispensáveis a seres de romance: coragem, fleuma e cultura omnívora, inteligência e boas maneiras, com as quais eles nunca teriam a mínima hipótese de vir a conviver, na vida real.

Aliadas a   um   ou   dois   pequenos   tiques (ou passatempos) que os humanizassem.

Das palavras cruzadas de Endeavour Morse, às orquídeas de Wolfe, às porcelanas chinesas de Philo Vance, às orgias culinárias flamengas de Harry Dickson, à interminável coleção de cachimbos do inefável Maigret.

Dava-se escassa importância à verosimilhança das situações, ainda menos à normalidade psicológica e social do comportamento de detetives e suspeitos. Sem falar, sobretudo, nos métodos (dignos de Imperadores bizantinos da decadência ou Bórgia renascentistas) de praticar os homicídios.

Margery Allingham

As relações entre uma polícia (à época, a Scotland Yard era já uma das polícias de investigação melhor equipadas do mundo) injustamente retratada como boçal, patusca e invejosa e os omniscientes deuses que se dignavam detetar o vilão, nos escassos tempos livres do seu carnet mundano (normalmente, como disse, amadores de muitos meios), parecem-nos hoje estranhos, por estarem tão completamente fora da realidade.

Mesmo escritoras de esquerda, como Susan Glaspell (1876-1948), por exemplo, na sua obra “A Jury of His Peers”, de 1917, favorece a sofisticada intuição dos amadores, à da polícia oficial (que nos EUA da época, realmente, não valia grande coisa, sobretudo moralmente).

Os detalhes médico-forenses eram, em geral, inexatos e os científicos, dignos de um “Borda-de-Água” de terceira ordem (aliás, as recentes séries televisivas como C.S.I; “Criminal Minds”; “Silent Witness”, não são mais honestas, nesse campo).

A violência, o sadismo, por vezes o próprio sangue, eram evitados, no possível. Numa arlequinada que terminava, invariavelmente, com a punição do homicida, sem avaliar, as mais das vezes, os motivos ou pulsões que o levavam ao crime. E que até poderiam, num caso ou noutro, desculpar o seu perpetrador aos olhos dos leitores.

Sem esquecermos o carácter quase angélico de vítimas e satânico dos criminosos, muito como deve ser, em contraste flagrante com a realidade (já desde a época vitoriana).

Que Julian Symons tão bem retrata em “The Blackheath Poisonings” e Anne Perry em “Defend and Betray”.

Há que ter em conta que em todo o Império britânico, no decurso do período entre as duas guerras, mesmo com desemprego brutal e fortes tensões sociais, o crime violento era relativamente raro (embora com micro-zonas de enorme violência, dentro das grandes cidades e nos portos de mar) e não se sofria o bombardeio quotidiano das diversas fraturas sociais em curso, perversamente manipuladas, que suportamos hoje, graças à televisão.

Assim, nas cidades pequenas e no campo, as pessoas viviam com uma reconfortante e real sensação de segurança, que os romances policiais refletem.

É uma sociedade em aburguesamento urbano, onde o crime é considerado reprovável e a virtude tida como banal, pelo que o criminoso não deve inspirar qualquer condescendência, a um autor que quer ter êxito.

Como diz a Baronesa Phyllis Dorothy James, C. L., P. M., B. D. da B. B. C., e do B. Council (é bom saber quem diz o quê), uma das críticas mais justas a esta época do policial é a constante lisonja (bajulação mesmo) dos seus autores ao snobismo das classes médias, sobretudo médias-baixas inglesas.

É dificílimo encontrar, com efeito, um operário, um camponês ou mesmo um serviçal, na qualidade de criminoso ou ator principal nos enredos.

The butler did it!” é, na realidade, quase impossível.

Mesmo as encantadoras dactilógrafas das obras de Edward Philips Oppenheim, Edgar Wallace, Jean Ray ou Agatha Christie, acabam sempre por ser filhas “não reconhecidas ainda”, de um nobre ou de um milionário que fez a sua (fabulosa, claro) fortuna no Canadá ou na África do Sul.

E, no fim do livro, casam bem, graças a Deus.

Sabiamente, salienta P. D. James, na sua obra “Time to be in Earnest[2] “… é como se a classe trabalhadora não sirva senão para fornecer ao investigador uma fonte preciosa de informações, introduzir a nota cómica de distensão e, por vezes, ser sacrificada como vítima suplementar – mas raramente a principal”.

E nos EUA, pouca diferença existe. Analise-se a trama do superclássico de Anna Katherina Green (“The Leavenworth Case”); o snobismo artificial e insuportável do jovem Queen (apesar de a sua tontice altruísta de “intelectual distraído”, no-lo tornar algo simpático); do monstruoso obeso de Montenegro, Nero Wolfe, ou dos bonecos de papelão Philo Vance e Perry Mason, e estamos conversados.

A ideologia subjacente é aparentemente semelhante e repete-se “ad infinitum”.

Como método quase universal (embora parte da solução possa ser servida, como aperitivo, nos capítulos intermédios) o mistério inexplicável, o gratuito aparente de certas ações, são guardados para as últimas páginas.

A sua filosofia é elementar.

Quem? Como? Porquê?

A sua ideologia é, quase sem fissuras, conservadora. Um crime foi cometido (ou pelo menos, teme-se que assim tenha sido).

Castiga-se quem o cometeu. Claro.

Tudo tem, na sociedade civilizada, uma causa, um fundamento, uma intenção. Um ou mais crimes vêm perturbar a solidez sem mácula da “Ordem Social”: é preciso repará-la.

Repô-la no devido lugar.

Para tal (e é esse o encanto do romance policial desta época, na minha opinião) há que recriar a realidade, “sob o ponto de vista do que cometeu o crime”, percorrer de novo, renascido e virginal, o caminho (mas já na versão reescrita pelo investigador) que levou a essa “desordem”, tal como foi inicialmente concebida, para, no fim, se fazer naturalmente Justiça, com um “j” infinitamente grande.

O que dá mais prazer ao leitor, creio, é seguir uma nova iteração típica, com os habituais tiques específicos de detetives-heróis, imutáveis, com comportamentos fixados para todo o sempre.

Num mundo em inquietante agitação, ao menos Roderick Alleyn e Jules Maigret nem de sobretudo mudam!

Mais.

Num mundo onde a morte é inevitável, nem sequer envelhecem!

Outro aspeto: todos os “descobridores”, sejam polícias amadores, profissionais, ou amáveis e prestimosos colaboradores de boa-vontade, são mestres nas técnicas mais refinadas da criminologia.

O que eles sabem, por S. Jorge!

Além de uma erudição multímoda e de um poder mágico de surpreender, no meio de imbecilidades e lugares comuns de uma conversação social (em que brilham sempre), os mais ínfimos detalhes, uma frase de terceiros, um grão de pó ou uma compoteira rachada, que lhes permitem, de imediato, provar que: a bela criadinha francesa de Lady Jekyll é, na realidade, um cadastrado, cinquentão e careca, fugido de Dartmoor e que foi ele que roubou o diamante, escondendo-o no sabonete do bidé da casa de banho do general.

Mas que se não pense que o romance policial desta época, como o definimos, era couto privado de mulheres-autoras ou dos britânicos.

O que eu diga de desabonatório de Anthony Berkeley Cox, Nicholas Blake ou John Dickson Carr (norte-americano mas totalmente britânico, em temas e vivência), poderia igualmente dizer-se, para esta mesma época, de Ellery Queen, S. S. Van Dine, Rex Stout, John Creasey, Anthony Boucher.

Como fugir à tentação, popularizada pelos primos “Ellery Queen”, em 1942, ao darem início à série dos seis melhores romances que fizeram (a meu ver), a saga de Wrigthsville (“Calamity Town”; “The Murderer is a Fox”; “Ten Day’s Wonder”; “Double, Double”; “The King is Dead”; “The Last Woman in his  Life”):

“Fiel à minha divisa de sempre de ser honesto com o leitor, dei-lhe todas as cartas que tenho na mão. Tudo o que sei, você sabe-o também. Meta em ordem, da forma conveniente, as indicações que lhe forneci e a conclusão lógica apresentar-se-á, de imediato, ao seu espírito, designando o único culpado possível”.

Divertimentos escassos, desemprego sempre à porta, vida urbana não fascinante!

Mas, também nesta época, temos que reconhecer que, pouco a pouco, pela mão de escritores como Margery Allingham, Frank Gruber, a subversão poética, a psicologia, a sociologia, as misérias dos deserdados da Depressão antes da guerra, o simbolismo esotérico, o problema do ser humano, colocado em situações-limite atingem uma espessura que nunca tiveram.

E igualmente a aventura quase onírica (com o inclassificável e impossível herói Albert Campion, num reavivar do espírito “Peter Pan”[3]) começa a dotar com um carácter mais lúcido e rico de criatividade, o romance-enigma.

Aliás a corrente “black mask”, analisada noutro capítulo, é coeva das obras que mencionei.

Na essência, porém, os crimes dissecados em livros e antologias, de títulos tão insólitos como os detetives que neles jazem, as soluções originais para o que não passam de enigmas de duas dimensões, caracteriza este período.

Noutros países, dizia eu, o clima era mais ou menos idêntico. Muito Biedermeier.

Só um Hitler, um Mussolini, um Horthy, poderiam por fim, pelo terror, a tal decadentismo.

Na Alemanha, por exemplo, Louis Wilton (um Edgar Wallace alemão) com “Die weisse Spinne”, “Die Panther”, “Könnigin der Nacht”, “Der Drudenfuss”, “Der Teppich des Grauens”, todos passados no Reino Unido (medo da censura nazi? vendia-se melhor, assim, à pequena burguesia germânica?); Wilhelm Speyer, com “Roman d’une Nuit”; o berlinense Erich Kästner (1899- 1974) com os seus encantadores livros (ditos infantis, sabe Deus porquê) concebidos num universo ficcional otimista e pleno de non sense, recriam, cada um a seu modo, um mundo de sonho, que o nazismo e a depressão tornaram impossível, mas hoje ainda lemos com enorme prazer[4].

O humor em Kästner, serve de suporte a um estudo pleno de estima pela pequena burguesia alemã, destruída pela guerra, pela espoliação de Versailles, pela recessão de 1929 e pelo seu filho monstruoso, o nazismo.

O que o nazismo destruiu…. Quantos Kästner poderiam, noutras circunstâncias, ter alegrado a nossa adolescência em toda a Europa.

Mas esta época viu nascer, também, com o crescimento exponencial do êxito deste tipo de livros, filmes e peças de teatro, o associativismo de fãs e amadores de charadas policiais.

Surgem inúmeros clubes de todo o tipo, apaixonados pelo enigma policial, associações dos autores do género, inúmeros críticos e editores, especializados nessa área.

A Sociedade de Escritores de Novelas Policiais dos EUA (The Mystery Writers of America), fundada em 1945, talvez uma das três mais prestigiadas de todas as que foram criadas até hoje, teve como presidentes figuras da craveira de Baynard Kendrick, Ellery Queen (um dos primos da associação…), Hugh Pentecost, Lawrence G. Blockman, John Dickson Carr, Helen Mcloy, Anthony Boucher, George Harmon Coxe, Helen Reilly, etc.

E isto, só até 1954…

Deve-se-lhe a criação dos Edgar Allan Poe Awards, o mais cobiçado dos prémios literários (nas suas categorias de “first novel”; “novel” e “Grand Master”). Tem concorrentes: os Agatha Awards (de membros da associação Malice Domestics); American Mystery Awards; Anthony Awards (homenagem a Anthony Boucher, durante as Bouchercon[vention]); Macavity Awards (da Mystery Readers International); Malice Domestic Contest; Nero Awards; Shamus Award; Best First Private Eye Novel.

No Reino Unido, sob o benigno patrocínio de Sua Majestade, temos a Crime Writers Association, cem por cento britânica, substituindo (de modo e com nível inferior), o famoso Detection Club, fundado em 1930 por uma constelação dos melhores da literatura policial da época.

Orgulha-se de ter tido entre os seus membros, Anthony Berkeley Cox, Agatha Christie, Dorothy Sayers, G. C. Chesterton e tantos outros.[5]

Entre os Past-Officers (antigos presidentes) da Crime Writers Association, fundada no Reino Unido em 1953, por John Creasey, contam-se, entre inúmeros nomes ilustres da ficção policial anglo-saxónica, Julian Symons, Ian Rankin, H. R. F. Keating, Paula Gosling, Catherine Aird, Kate Charles, Susan Moody, Margaret Yorke, Elizabeth Ferrars.

Em França, Maurice Endrèbe criou, em 1948, o Grand Prix de la Littérature Policière, que sucede ao Prix du Roman d’Aventures, criado em 1930, por Albert Pigasse (o criador da célebre coleção “Le Masque) que, nos felizes anos vinte e trinta, incluía inverosímeis quantidades de Léon Groc, Albert Bonneau, Toussant-Samat, Pierre Véry, Stanislas-André Steeman, Pierre MacOrlan e Pierre Boileau.

Menciono, na biografia de Sherlock Holmes, a existência de Associações, a ele dedicadas, que me dispenso, apesar do seu prestígio, de referir aqui.

Mudemos de assunto.

Humor, disposição de espírito, estado de alma, que parece mais efeito do temperamento do que da razão. Dar-se bem com a vida! Que devemos aos anglo-saxónicos, de Shakespeare a Swift, de Tackeray a Wilde. Podemos resumi-la a uma mistura de alegria, de sensibilidade às taras sociais, de conhecimento da perversidade de alguns e de irreprimível alegria de viver.

Há humor (do bom, claro) na literatura policial?

A resposta é afirmativa e, nela, o humor é quase mais antigo que a mais antiga profissão do mundo.

Já em 1889, por exemplo, o amigo pessoal de Sir Arthur Conan Doyle, Sir James Matthew Barrie, num pastiche genial, dá a Sherlock Holmes (sem nada cobrar!) uma inspiração genial!

Mas, para mim, o melhor dos humores, é, quando bem feito, o pastiche. A época de que falamos agora, é fértil neste campo. E, em matéria de S. Holmes, torrencial.

Dois monumentos de humor típico destes anos são as obras de Leo Bruce (Rupert Croft-Cook) de 1936, que nos apresenta, em vários livros, um extraordinário Sargeant Beef, modelo do gordo, vermelhusco e vitoriano polícia “by the book”, que (em “Case for Three Detectives”; “Case without a Corpse”; “Case with no Conclusion” e “Case for Sargeant Beef”, …) mete a ridículo, com a imperturbável sensatez de um bovino, numa palavra, destroça, com um bom senso de dona de casa, Lord Peter Wimsey, Hercule Poirot e o Padre Brown.

Em 1954, Marion Mainwaring, vai mais longe.

Em “Nine Detectives All At Sea” (“Murder in Pastiche”) envolve nada menos do que H. Poirot, Roderick Alleyn, Lord Peter Wimsey, Maud Silver, John Appleby, Ellery Queen, Nero Wolfe, Perry Mason e Mike Hammer, numa situação onde não ficam nada bem na fotografia.

O humor é recorrente e, mesmo nos escritores onde menos se poderia pensar, ele desabrocha. Se comprarmos um livro de Fredric Brown, ou uma obra da série Fletcher-Cragg, de Frank Gruber, já o esperamos.

Mas até Dickson Carr, por exemplo, nos oferece diversos romances e contos, de tal forma cómicos (quase slapstick), envolvendo um dos seus mais famosos detectives, Sir Henry Merrivale, que merecem citação.

My Late Wives”, por exemplo.

Estamos, em 1945. A II Guerra Mundial terminou, finalmente!

Sir Henry e o seu (infeliz) professor de golfe, Fergus Mac Fergus, do Killiekrankie Golf Club, jogam, solenemente, num parque de diversões cheio de soldados aliados, com máquinas eléctricas de tiro ao alvo. A cena absurda de pancadaria que Merrivale desencadeia, por um pretexto fútil, poderia figurar numa antologia humorística.

Ou, em “Death in Five Boxes”, de 1938, em que o genial careca, levando um carro de fruta que alugou, para emagrecer (suponho que comendo apenas a fruta que o enchia…) provoca uma cena digna de um filme dos irmãos Marx, da mesma época.

Até a seriíssima Dorothy Sayers tem cenas de um cómico elaborado e maduro, que nos deixam espantados, dada a timidez bem comportadinha que caracteriza o seu estilo.

Lord Peter protagoniza cenas de auto derisão que nos reconciliam um pouco com a Autora.

O conto curto marca presença em quase todos os grandes escritores da época.

Uma única anedota, nesta matéria.

A dada altura, o “Ellery Queen’s Mystery Magazine” desafiou Anthony Boucher a fazer um conto policial de grande nível (com ele, esta recomendação era desnecessária…) que não ultrapassasse as quinhentas palavras e fosse um preito à cultura.

Resultou uma pequena obra-prima de humor, que se chama, claro, “A Matter of Culture”.

Outra ideia da época, que fez o seu caminho (se bem feita, é irresistível!), foi associar dois heróis num conto, romance ou novela conjunta, dos autores que os tinham criado.

Stuart Palmer e Craig Rice juntaram, em dois contos, a solteirona professora primária Miss Hildegarde Whiters e o jurista beberrão J. J. Malone (“Of Autopsy and Eve” e “A Divisão do Espólio”).

John Dickson Carr, por seu lado, mantinha sólidas relações de amizade com um seu colega britânico John Rhode / Miles Burton (de seu verdadeiro nome Cecil John Charles Street, Major do Exército). Estimavam-se mutuamente e encontravam-se, com muita frequência, no local para eles ideal: o Detection Club of London.

De que ambos faziam parte sendo um fundador: Carr, único norte-americano (antes de Patrícia Highsmith) a ser admitido naquele círculo ultra-reservado aos súbditos de sua Majestade.

Segundo informações recolhidas por Douglas Greene, biógrafo de Carr, foi ele que teve a ideia de colaboração de ambos, criando dois detetives que contribuíssem para a resolução do caso. No único romance que concretizou esta proposta, “Drop to His Death”, de 1939, a ideia de partida era “mais um caso de crime em local fechado”, na circunstância, um ascensor em movimento onde a vítima era assassinada a tiro (revólver calibre 45, a curta distância), sem que mais ninguém estivesse no elevador.

Note-se (em à parte) que considero o enredo suspeitosamente muito próximo do do livro, “The Death of Lawrence Vining”, de Ernest Wentworth (escrito em 1924).

Carr / Rhode criam o “forensic”, Dr. Horatio Glass, intuitivo, psicólogo avisado e poeticamente imaginativo. Coadjuva-o o Inspetor-Chefe David Hornbeam, da Scotland Yard (criação mais à maneira de John Rhode), adepto da investigação metódica, científica e cartesiana (não CARRtesiana…), e à recolha exaustiva de indícios.

Aqui, é o génio psicológico que perde e o H. Masters-Hadley-Lestrade-Japp que ganha.

A guerra (Rhode era militar) põe fim a esta fecunda e truculenta associação. Mas a juvenil tentação de juntar feixes de tiques e manias, mais ou menos caricaturais, em que se condensava o eterno retorno de imagens dos detetives do romance-enigma é ainda hoje, sumamente tentadora.

Voltando aos anos de entre duas guerras e ao livro-enigma, cedo, ao universo anglo-saxónico e francês, se juntam também a Bélgica, a Alemanha (excetuado o negro interlúdio do nazismo, como referi), a Holanda, o Canadá e até Singapura (Leslie Charteris).

Após 1945, toda a burguesia emergente do pós-conflito cedia, no conforto da seu cottage da periferia, ao encanto do policial.

Com a novidade do crescimento explosivo dum (recente) subgénero, o Black Mask de qualidade e densidade literária pouco habituais. Surgem também novas experiências, que o futuro desenvolverá.

A principal das quais me parece a obra de Roy Vickers (1888-1965), que surge com a publicação de “The Rubber Trumpet” (1935), episódio da sua epopeia “The Department of Dead Ends”, que terminará com a quinquagésima-terceira, publicada em 1945.

A sua técnica, nesta época revolucionária é a de apresentar o “crime às avessas”.

Cada homicídio é descrito ao leitor minuciosamente, tanto na sua preparação, como nas circunstâncias que a ele conduziram. Identidade, personalidade e os móbeis do criminoso não têm para nós, leitores, qualquer segredo. O que resta saber (e torna as novelas apaixonantes) é qual o “grão de areia” que irá permitir ao “Serviço de Assuntos Arquivados” da Scotland Yard, dirigido pelo hábil e tenaz Inspetor Karslake, dar com o crime e fazer condenar o criminoso.

Nada que já não tenha sido feito por F. Doistöievsky ou Mary Belloc Lowndes, A. Freeman, Francis Iles ou C. S. Forester. Mas, nestes contos de Vickers, há uma lúcida análise dos comportamentos, uma inovação nos temas, uma frescura, uma qualidade do “suspense”, que fica por muito tempo na memória.

Todo este período goza da candura da inocência, ainda. Recordações de outras recordações (aquele outro romance em que…), que nos fazem considerar o detetive um velho amigo, ou, pelo menos, um conhecido.

O ressaltar da intriga, o fim inesperado, a antecipação do desenlace, patética ou aterradora, tudo isso tem uma frescura que, com o correr dos anos, os autores que continuam a escrever dessa forma (anos sessenta, setenta…) vão progressivamente perdendo.

Mas assinaláveis ainda num conto muito curto (obra de um autor que os não apreciava), verdadeira joia gore: “The House in Goblin Wood”, 1947, de Carter Dickson. Ou no clássico “Cat of Many Tails”, escrito em 1949, por Ellery Queen, história de um serial killer psicopata, percursora genial deste tipo de obras.

O romance policial de hoje, repete-se, cria modas de curta vida[6] e tenta, para se renovar, caminhos repulsivos ou liftings perigosos.

A juventude não se imita, vive-se.

Carlos Macedo


[1] Nostálgicos de piqueniques no parque ao domingo, sábados no cinema do bairro, de uns míticos “good old days” que, aliás, nunca existiram, de um complacente e apolítico bem-estar suburbano, com a saciedade pós-prandial e a “Lei & Ordem” asseguradas.

[2] Faber & Faber, London, 1999.

[3] Ou o par Mr. Satterwaithe, o insuportável peralvilho e mexeriqueiro gentleman, tipo Noel Coward feminino e a figura mefistofélica de Harley Quin…

[4] Impregnados ainda de um humor inimitável. “Emil und Die Detektiven”, “Das Doppelte Lottchen” e, sobretudo, “Drei Männer im Schnee” merecem leitura e relevo.

[5] A C.W.A. atribui a CWA Diamond Dagger (patrocinada pela casa Cartier!!!); a CWA Gold and Silver trophees; John Creasey Memorial; Last Laugh (patrocinada, com humor, pela Punch…); The Library Daggers…

[6] Já vulgarizado, adiantado o século XXI, o género regional “Nordic Noir”, apresenta-nos a escritores de muito valor, como Henning Mankell, Stieg Larsson, Arnaldur Indridason (suecos, dinamarqueses, islandeses). O regionalismo inglês (que vai de Leeds a Oxford, das ilhas Shetland, a Newcastle) de que são exemplo Caroline Graham, Ian Rankin e Colin Dexter ou francês (Fred Vargas, Maurice Dantec, Pierre Magnan).

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