Livro “Sabores do Toiro Bravo” apresentado no encerramento da Feira do Livro

Em Ribatejo Cool

O livro “Sabores do Toiro Bravo” vai ser lançado ao público esta terça-feira, 5 de outubro, no encerramento da Feira do Livro de Coruche, às 18 horas, editada pelo Município de Coruche.

Publicado pela Câmara de Coruche e concebido e coordenado por Amílcar Malhó, o livro, concebido e coordenado por Amílcar Malhó, reúne receitas de carnes de raça brava e fixa saberes, centrando-se no potencial social, cultural, económico e turístico da região de Coruche.

O convite à participação de entidades e analistas de gastronomia, bem como de chefs renomados regional e nacionalmente, serve o propósito de criar valor e referências para o setor.

Além do cuidado tido na preservação da cultura tradicional, a obra assume ainda o objetivo de reconhecer os criadores de raça brava, os talhantes e os restaurantes de Coruche que souberam acarinhar o certame “Sabores do Toiro Bravo” desde a sua primeira edição, assim como todos aqueles que servem “Bravo do Ribatejo” durante o ano.

Amílcar Malhó, coordenador editorial do livro “Sabores do Toiro Bravo” e animador gastronómico, assumiu o compromisso de dar a conhecer o produto da carne de toiro bravo, que, como refere Mário Sandoval, conceituado chef espanhol com duas Estrelas Michelin, é «um grande luxo desconhecido». Constatando a escassez de informação a
respeito da carne de toiro bravo e das suas características diferenciadoras, Amílcar Malhó verifica, por outro lado, uma crescente e evidente apetência – acentuada desde o início deste novo século – por produtos alimentares que comprovadamente apresentem maior relação com a natureza e, no caso da carne, sejam provenientes de
animais com condições de criação não agressivas.
Como confrade fundador da Confraria Gastronómica do Toiro Bravo, Malhó identifica desde logo «um número muito significativo de apreciadores dos sabores do toiro bravo, a que poderemos chamar ‘Gastroaficionados’». Assim, mesmo pensando nos gastrónomos apreciadores de carnes bovinas autóctones portuguesas, Amílcar Malhó considera que o principal objetivo da obra incide na conquista de novos consumidores, crendo que «muitos tornar-se-ão apreciadores ‘militantes’». No capítulo dedicado ao “Toiro Bravo na Cozinha” atente-se à diversidade e à riqueza das propostas dos três chefs e das duas escolas convidadas, bem como dos restaurantes do Concelho que apresentam propostas tradicionais ou com um toque de modernidade.
Para concretizar a obra, Amílcar Malhó solicitou colaborações várias, nomeadamente através de esclarecedoras conversas, mas também pela reprodução de textos, certo de que o resultado final contribui para o conhecimento do animal, do produto e, sobretudo, da sua confeção culinária. Nesse sentido, o desafio assume-se como um
contributo para o património dos apreciadores dos paladares únicos das carnes de raça brava, reconhecendo, no aproveitamento das diversas peças, a existência de um vasto acervo de entradas e pratos principais provenientes do receituário popular, a que se juntam criações de chefs da moderna cozinha de autor, conhecedores das
propriedades ricas da carne, com ementas tão apetecíveis à vista como ao palato.

De acordo com Célia Barroso, vereadora da Cultura e do Turismo do Município de Coruche, «o livro evidencia uma restauração com características familiares, reconhecendo um estilo de cozinha, mas também a personalidade das gentes que fazem e das gentes que saboreiam», porque o que vem no prato «não precisa de intérprete», mas «de compreensão, de contexto e memória» – a mesma memória que conserva o sabor, o cheiro, a apresentação e, desejavelmente, o lugar.
Sublinhe-se que o título “Sabores do Toiro Bravo” deriva do premiado certame gastronómico com o mesmo nome, promovido pelo Município de Coruche em parceria com a restauração local. O evento, que decorre por volta do primeiro fim de semana do mês de maio, é, aliás, o pináculo dos eventos do Concelho, marcando o início da
atividade tauromáquica, fixando uma carta gastronómica de excelência e assumindo-se como evento carismático do Ribatejo, que comemora e agrega na Praça de Toiros de Coruche os sabores e os saberes em torno da carne de toiro bravo.
De facto, a carne de toiro bravo afirma-se hoje como evidente elemento do património gastronómico de Coruche, seja no contexto local ou regional, e assenta na ligação entre a cultura tradicional e as linhas mestras para o desenvolvimento estratégico e turístico da região. O património gastronómico é um bem comum a manter que
permite salvaguardar saberes e, não haja dúvida, a gastronomia de Coruche está fortemente ligada à especificidade do território, à lezíria e à charneca ribatejana – ao toiro bravo.

Em suma, o livro “Sabores do Toiro Bravo” estabelece-se como mais um passo para a mais do que justificada conjugação de esforços no sentido de dar a conhecer o produto culinário e o potencial gastronómico da carne brava.

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.

*