fbpx

Santarém e o planeta vão a votos dia 26

Em Opinião

Para muitos Escalabitanos e para muitos portugueses domingo será apenas mais um dia.

Mais um dia convidativo para a praia, para ir ao futebol, trabalhar ou apenas relaxar em casa.

Eu percebo o desalento, são 16 anos de incúria, desprezo pelos espaços comuns da nossa terra, que começam logo na entrada pela nacional 3. Percebo ainda a tristeza daqueles que sabem como era o coreto a que temos Direito, cuidado e com brio, não abandonado e sombrio como o deixaram.

Percebo a indignação de quem nos visita ao encontrar sistematicamente os museus fechados, e um plano de turismo que ficou na gaveta.

Percebo ainda a perplexidade de quem, tal como eu, não percebe como uma das cidades mais quentes do país não tem fontanários públicos funcionais, quer para pessoas, quer para animais.

Percebo o cansaço de ouvirmos como grande vitória destes 16 anos “pagamos aos fornecedores a tempo e horas”. Será que merecemos tão pouca ambição? A capital que deixou de ter brio em si própria, que se vê sistematicamente preterida por Almeirim e Torres Novas?!

Será que é pedir muito termos uma casa cuidada? Adaptada aos novos tempos? Com habitação digna para quem nela mora, com bosques de miyawaki[1] que absorvam co2 e nos metam na vanguarda dos novos tempos, cruzando a capitalidade e a ruralidade sustentável, em que as nossas crianças conheçam a biodiversidade, e sejam protegidas de uma cultura de violência como a tauromaquia, incentivada pela autarquia e paga com o dinheiro de todos.

Dinheiro esse que para o seguro dos forcados e para os bilhetes das tourada foi sempre célere, mesmo quando tínhamos o imi na taxa máxima, com um pael a que o psd nos levou, e com o qual o  atual executivo foi conivente, desde logo exercendo vereação com pelouro.

Recordo que em 2010 (devemos não só analisar o mandato em causa mas todo o ciclo) o jornal “O Mirante”  do dia 14/10/2010 noticiava que “A Câmara de Santarém ainda não transferiu para as juntas de freguesia do concelho as verbas referentes aos duodécimos de Janeiro, Fevereiro e Março, faltando ainda pagar metade do valor correspondente ao mês de Dezembro. O que tem causado transtornos na gestão corrente das freguesias, como aliás O MIRANTE já havia dado conta na edição de 4 de Fevereiro passado. São as juntas que estão a garantir os salários de auxiliares nas escolas e jardins-de-infância, já que o município, a quem compete o pagamento, não transfere essas verbas a tempo e horas.

Igualmente por liquidar estão as verbas de apoio ao associativismo protocoladas com as coletividades. Os clubes desportivos, por exemplo, só receberam metade da importância referente à época 2008/2009.

Já decorriam 5 anos de mandato Psd aquando disso, mostrando de forma evidente as “prioridades” do edil.

Todos sentimos o desalento de vermos a nossa cidade com as freguesias rurais a serem despovoadas, e com a nossa cidade estar de costas voltadas para o nosso rio, a nossa riqueza natural, tão subaproveitado, fazendo-nos corar de vergonha por no Distrito termos aproveitamento do mesmo,como por exemplo em Abrantes.

Em Santarém o máximo que tivemos foi a ilusão do aproveitamento da zona ribeirinha[2] para o “grande Waterfront Expo 2007” que foi mais uma mão cheia de nada.

Mão cheia de nada é também a política de bem-estar animal do município, com um canil sobrelotado, e sempre empurrando com a barriga para o canil intermunicipal que virá um dia mas nunca chega, com o atraso na contratação de veterinário, na insuficiência gritante de uma àrea como a de Santarém ter apenas um veterinário ignorando as recomendações de contratar o segundo[3]. Nem demonstrando vontade de parcerias com privados nesta àrea ao contrário de outras.

Também me solidarizo com quem vive em Pernes e na Póvoa da Isenta, onde as descargas e a poluição destroem a freguesia e inclusivamente diminuem a esperança média de vida, pois a poluição mata e existem provas nessas freguesias de que tal acontece. E com quem todos dias se apercebe que somos a única capital de Distrito sem um grande polidesportivo multimodal.

Com os jovens que assim que acabam o secundário só por excepção voltam, que não são acarinhados pela sua terra apesar da desertificação e necessidade de rejuvenescimento.

Também percebo os que se indignam com o mercado adiado, e subaproveitado em vez de ser um polo de desenvolvimento agrícola, que potenciaria a agricultura biológica e nos daria mais saúde e melhor ambiente, bem como melhor economia.

E uma autarquia que não liga ao simbólico, seja a restaurar o monumento de Salgueiro Maia, seja a hastear a bandeira LGBTQIA+ no dia contra a homofobia, seja no “esquecimento” da escultura de Mário Rodrigues sobre refugiados a céu aberto.

Também sabemos que só o Pan tem coragem para afrontar o lobby agropecuário e a indústria da carne sem tibiezas, que precisamos de outro modelo de desenvolvimento e o nosso município pode liderar essa mudança, com uma nova sinergia com a sociedade civil, e potenciando uma economia verde, promovendo também a circularidade da mesma.

Percebo o leitor que se mostra desalentado com uma eleição de vencedor antecipado. Mas cabe-me sugerir a reflexão, e se a metade que não vota o fizesse? E se o fizesse em quem nunca pode demonstrar ainda as suas ideias na prática? Alguém que sabe que a política é a arte do possível, e que sabe que é preciso compromisso para não cair no protesto estéril. Uma força política verde que acabaria com o cinzento ps-psd e seu rotativismo que nos trouxe aqui.

Percebo o desalento e a vontade de ficar em casa, de não ir lá porque são todos iguais, mas se pensarmos é das poucas coisas que podemos fazer para melhorar a nossa vida, esses que criticamos no café, esses nunca se esquecem de ir lá votar, até os banqueiros presos em casa quiseram ir votar. Será que eles o fariam se não servisse para nada? Gente tão poderosa e que até tem dinheiro para comprar decisões/vulgo corromper? Vamos pensar nisso, vamos pensar que se calhar temos mais força do que pensamos, existe é quem tem interesse em que fiquemos em casa…

D. Afonso Henriques chegou a pensar em Santarém para capital de Portugal, quem sabe as razões não estavam certas e volvidos tantos anos não podemos ter uma capital verde e que seja um motor para a região, está na nossa mão votar pela nossa terra em ambos os sentidos, terra física e terra como planeta.

Luís Martinho


[1]    Los mini bosques de Miyawaki salvarán el planeta – inNaturale

[2]    https://www.publico.pt/2007/10/04/jornal/frente-ribeirinha-vai-ser-devol–vida-a-cidade-de-santarem-232216

[3]    https://maisribatejo.pt/2021/09/17/candidata-do-pan-quer-mais-veterinarios-no-canil-municipal-de-santarem/

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.

*

Recentes de Opinião

O taumaturgo

Na Idade Média os reis aumentavam a sua aura e poder porque…

O equívoco

Na década de sessenta do século passado a então existente editora Delfos…

Ir para Início