Que é feito da biblioteca camoniana Victor Fontes?

Em Correio dos Leitores

Camões, sabendo das intrigas, teria dito: “Um que envergonha outro que injuria”. Não é para menos. António Reis, antigo Secretário de Estado da Cultura do II Governo Constitucional e que foi Grão Mestre da Maçonaria, deu ordens por despacho, para instalação  do CIEC-Centro Internacional de Estudos Camonianos em Constância, onde iria figurar a biblioteca camoniana de Victor Fontes doada à Associação de Camões.

Victor Fontes, ilustre camoniano que doou a biblioteca valiosíssima à Associação da Casa de Camões.

Este despacho de que tive conhecimento através do saudoso cronista Joaquim Coimbra, não foi cumprido pela  então Comissão Instaladora do Instituto do Património Cultural e Natural que acabou dissolvida. Ora, segundo os apontamentos do manuscrito do cronista (historiador local que mereceu elogios tanto de José Hermano Saraiva como de Maria Clara Pereira da Costa), o previsto Centro, passo a transcrever “devia funcionar onde quer que as previsíveis cheias não afectassem o edifício reerguido, nem a camoniana, oferecida à Casa de Camões, pelo ilustre bibliófilo Victor Fontes”.

Ruínas da Casa de Camões nos anos 70/80.

Na altura, a associação, liderada pela minha eterna e saudosa amiga a jornalista e escritora Manuela de Azevedo, esclareceu as entidades, passo a reproduzir ” que as técnicas modernas preservam da humidade as ‘casas-fortes’, demais  que as espécies de qualidade, se prevê venham a ficar tão acima do nível das cheias mais ousadas que não é lícito pensar que algum dia tal casa-forte venha a ser atingida”.

Quis o destino que Manuela de Azevedo me chamasse para assumir funções de fiscalização na Associação da Casa-Memória de Camões. A saudosa amiga nunca imaginou por certo que parte do riquíssimo espólio doado por Victor Fontes tivesse sido exposto à chuva num anexo no último piso do actual edifício da Casa-Memória, acaso sem telhado. O assunto – grave- foi levado por mim à Assembleia geral tendo recebido como resposta que estavam a tentar recuperar alguns exemplares mas que estariam irremediavelmente perdidos.

Há dias pedi à direcção o inventário do património e já o recebi em segunda tentativa. Do mesmo não consta a biblioteca camoniana Victor Fontes.

Estou zangado. Muito zangado. Não quero explicações. Quero ver a biblioteca. Inteira e inventariada. E todo a restante espólio  doado. Há anos que venho insistindo para se fazer este inventário e me venho oferecendo para colaborar.

Que sejam apuradas responsabilidades! Viva a Associação da Casa-Memória de Camões em Constância de Manuela de Azevedo!

José Luz

(Presidente do Conselho Fiscal da Associação da Casa-Memória de Camões em Constância)


PS-  Só para que conste: Manuela de Azevedo ofereceu-me um exemplar do inventário do espólio doado por Victor Fontes. 

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