Comeres & beberes – Comer no dia de Reis

Em Ribatejo Cool

Abundam os textos referentes ao festejo do Dia de Reis. Apesar de tal abundância permito-me referir apenas um autor que vale a pena ler, Ernesto Veiga Oliveira.
Feita a referência ao renomado etnólogo, cometendo o pecado de o colocar à frente do sábio Leite de Vasconcelos, rememoro a festança de tirar a barriga de misérias na ceia da noite de reis.
Logo na passagem de ano, em muitas comunidades do interior do País constituíam-se (ainda se constituem?) grupos de parentes e vizinhos cuja missão era a de cantarem os reis (as conhecidas janeiras) de porta em porta de afã de os improvisados cantores conseguirem recolher chouriços grandes ou pequenos (os reizinhos – enchidos pequenos provenientes de pedaços de tripas que tinham rebentado, mas que ainda recebiam massa), a fim de serem imolados na dita ceia.
O repasto substancioso podia ser acrescentado com sápida carne da salgadeira, além de batatas, grelos e gulosas rabas. Os grupos de crianças e adolescentes também cantavam, tudo quanto conseguiam receber logo era consumido, quantas vezes de imediato pois o apetite imperava naqueles corpos famintos e vorazes.
Os Reis fechavam o ciclo natalício, os rapazes e as raparigas tinham de esperar a ocasião a fim de surripiarem um chouriço de massa ou as cobiçadas chouriças de carne, quanto aos contados e recontados salpicões ficavam no «cofre» doméstico guardando-se até vir o dia especial ou destinados a pagarem favores ao médico, ao padre ou ao precioso fiador nas horas más.
Armando Fernandes

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