A 2ª reunião de Câmara – o reflexo do acordo PSD/PS (podcast)

Em Opinião

Decorreu na segunda-feira passada a 2.ª reunião da Câmara Municipal de Santarém deste mandato 2021/2025.

Desta vez com menos pontos (41), mas um pouco mais demorada do que a anterior (passou um pouco das duas horas e meia) muito à custa do “ponto antes da ordem do dia”, das intervenções do público e ainda de mais 3 ou 4 pontos da ordem de trabalhos.

Do período antes da ordem do dia, em que desta vez intervieram todos os vereadores, destacar uma nova tendência, na minha opinião positiva, de aproveitar este ponto para cada vereador fazer um resumo das suas ações. É verdade que havendo mais vereadores com pelouros e sendo estes de forças políticas distintas, isso se proporciona mais.  Fê-lo muito bem Nuno Domingos, fizeram-no também a vice-presidente Inês Barroso e o vereador Diogo Gomes, e fê-lo ainda o vereador João Leite, mas de forma exagerada ao falar até à saturação sobre o Festival Nacional de Gastronomia. Pedro Frazão, do Chega, apontou e bem a necessidade de existir um regimento da Câmara Municipal, ao que o presidente de Câmara respondeu dizendo que esse assunto está a ser tratado e que já existe em minuta, que iria enviar – a típica resposta a que já estamos habituados da sua parte em situações semelhantes.

Uma das 3 propostas de pontos para esta reunião que Pedro Frazão terá apresentado sem sucesso destaco a da realização de uma auditoria externa aos ajustes diretos não de acordo com a lei feitos pela Câmara Municipal e pelas Empresas Municipais – curioso ou talvez não que Ricardo Gonçalves não fez qualquer comentário sobre este assunto…  Outros vereadores também questionaram o presidente sobre assuntos relevantes, mas houve também, como é usual, quem interviesse só para não ficar calado, mas compreende-se…

Dos pontos da ordem do dia queria só referir-me a quatro:

  • O parecer sobre a transferência da farmácia de Almoster para o Pingo Doce de São Domingos foi unanimemente negativo com a promessa de voltar a avaliar a situação dentro de um ano. A situação não é fácil: segundo os proprietários, com o fecho temporário da extensão de saúde de Almoster em março de 2020, a farmácia ali não é minimamente rentável ainda que funcione em espaço da Junta de Freguesia. Por outro lado, é muito triste que o único serviço social ainda em funcionamento em Almoster deixe também de existir. De referir que os proprietários se comprometeram a fazer entregas gratuitas dos medicamentos ao domicílio, caso a farmácia fosse transferida, o que não será por agora o caso.
  • Foi anunciado que o futuro conselho de administração da empresa municipal Viver Santarém será presidido por Carlos Coutinho e terá como vogais Ana Cristina Santos e Nuno Gomes (este último indicado pelo PS).
  • Ficou-se a saber que as obras do Mercado Municipal nos vão custar ainda mais cerca de 80 000 €! Já nem sei o que dizer sobre esta obra! – inconcebível, é o mínimo…
  • Também foi dado a conhecer que o concurso para adjudicação da obra de construção do complexo desportivo da escola de Pernes ficou mais uma vez deserto, porque a Câmara Municipal teima em lançar concursos com valores que nenhuma empresa capaz pode aceitar, e que mais uma vez irá ser lançado novo concurso de valor base superior. E assim os meses vão passando…

Desta vez PSD e PS votaram todos os pontos em consonância, reflexo óbvio do acordo para a governação da Câmara recentemente estabelecido entre estes dois partidos. O Chega também votou favoravelmente 90% dos pontos em discussão, tendo-se abstido nos restantes. Votos contra mesmo só surgiram quase no final da reunião pela mão do PS e também do PSD quando foi discutido o ponto 39 em que o Chega propunha a celebração solene do 25 de Novembro.

Ricardo Gonçalves continuou com um comportamento muito cordato e conciliador ao longo de toda a reunião.

 

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