Um “casamento” com futuro?!… (podcast)

Em Opinião

Segunda-feira foi dia de tomada de posse dos membros recentemente eleitos para a Câmara Municipal e para a Assembleia Municipal de Santarém. Tomaram posse os 9 vereadores eleitos e, antes de o mesmo ter lugar com os 45 membros da Assembleia Municipal (deputados e presidentes de Junta), discursou o futuro e também cessante Presidente de Câmara que às tantas do seu discurso disse:

(…) temos reunido com ambas as forças partidárias com assento no executivo municipal e posso hoje anunciar que já estabelecemos uma base sólida de entendimento com o PS, o que nos trará a necessária estabilidade para a governação do concelho nos próximos 4 anos.

Anunciou assim que, após negociações havidas quer com o PS, quer com o Chega, chegou a acordo com o PS com vista a uma estabilidade governativa da autarquia scalabitana. Haja Deus! Bem pior seria que tivesse chegado a acordo com Pedro Frazão (Chega), o que, como confessou agora mais uma vez, esteve também em cima da mesa.

Sabe-se que o PS irá ter 2 vereadores com pelouros – Nuno Russo e Nuno Domingos, mas não se conhecem ainda as “pastas” que lhes serão atribuídas. Certamente que incluirão a “Cultura” e o “Apoio ao desenvolvimento agrícola concelhio”. Já dificilmente Ricardo Gonçalves abrirá mãos do “Desenvolvimento económico”, apesar de este campo de atuação, que muito abandonado tem estado nos últimos já largos anos, poder ser, creio, bem melhor tratado por Nuno Russo. Sabe-se ainda que o PS terá um elemento em cada um dos Conselhos de Administração das duas empresas municipais. 

Mas mais importante do que nomes, pelouros e cargos é a forma como vai correr este anunciado “casamento” ao longo dos próximos quatro anos. Várias questões se põem:

  • Consegue Ricardo Gonçalves dar alguma autonomia de atuação e decisão aos vereadores do PS agora incumbidos de pelouros?
  • Não serão os vereadores com pelouros do PS facilmente absorvidos por quem mais poder tem na Câmara Municipal?
  • Saberão os vereadores do PSD e do PS e em particular o presidente de Câmara pôr os interesses de Santarém e do seu concelho acima dos seus interesses pessoais e partidários remando todos no mesmo sentido que deverá ser o da defesa e do bem estar do concelho e dos seus municípes?
  • Terá o acordo precavido alguma independência de votação dos 4 vereadores do PS e dos seus deputados municipais? É que, a não ser assim, a necessária e por vezes imprescindível oposição ao que até aqui têm sido as políticas do presidente de Câmara e da sua equipa fica completamente neutralizada por reduzida, no máximo, a 6 deputados que são os dos restantes 4 partidos que têm assento na Assembleia Municipal.
  • Terá o acordo garantido que decisões estratégicas e estruturantes que têm vindo a ser ignoradas nos últimos mandatos não vão continuar esquecidas?
  • Este “casamento” conseguirá durar, mesmo que com “problemas conjugais”, ou o “divórcio” irá sempre espreitar a cada esquina?

São perguntas que ficam, mais se poderiam pôr, a que iremos sabendo responder ao longo do tempo, e que, para bem de todos nós, espero que sejam dúvidas sem sentido… 

Francisco Mendes

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