Para sempre

Em Opinião

Ano após ano, seja no exercício da lembrança da radiosa efeméride, seja na sua comemoração oficial ou popular, muitos de nós rematamos: 25 de Abril, Para sempre! E, no entanto, o travo da saudade dos primeiros alvores do advento da democracia, da não concretização plena dos três DDD, mergulha-nos no remoinho dos anos caídos sobre os nossos ombros, nos grossos pingos da bátega das ilusões esfumadas de vivermos livres das chagas sociais, da ferocidade dos extremismos históricos, raciais e radicais. Numa população muito envelhecida, esmagadoramente débil culturalmente, desprovida de sentido crítico da real/realidade do quotidiano comunitário, absorvendo as bagatelas engendradas pelos furiosos ressabiados do antigamente veiculadas nos balcões do extremismos que os capitães de Abril derrubaram em boa hora.

Os infortúnios dos democratas espelham-se nas televisões, explora-se o sensacionalismo parido no Parlamento, no facto de as classes mais jovens, maioritariamente, descrente da militância e acção política, revoltados porque os velhos não morrem, a geração grisalha, a fim de herdarem duplamente como se estivéssemos 1974. Um berbicacho dirá António Costa. Só que, os idealistas/abrilistas vivem rodeados de berbicachos, não sabendo qual a forma de os exterminar.

25 de Abril ? Sempre!

Armando Fernandes

P.S.: O título desta crónica é de um livro do célebre escritor Vergílo Ferreira que lutou contra a ortodoxia salazarista e a ortodoxia comunista.

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