Sai uma Sopa de Relógios!

Em Opinião

Santarém é talvez a cidade portuguesa com o maior reconhecimento como capital da gastronomia. Nunca percebi bem porquê, pois tem sido dos sítios com menos oferta de qualidade nesse particular, mas pronto, tem cá o festival de gastronomia e isso fez dela a cidade onde a comezaina é rainha, pelo menos durante uma semana….

De facto, o cultivo da flora intestinal, o alimento das úlceras gástricas e o aconchego dos sofredores hepáticos, são razões poderosas para se passar, pelo menos um dia, pelo Festival de Gastronomia de Santarém. Lá se podem degustar menus de múltiplas origens, nacionais e internacionais e até pratos inovadores de afamados chefs. Falta um verdadeiro prato típico de Santarém? Pois falta, mas pode ser que se resolva isso.

Mudando entretanto de assunto, embora isto ande tudo à volta dos tachos e do estômago, constituiu-se por aí uma polémica em relação à venda de uma casa, paredes meias com o Cabaceiro, porque a Câmara a vendeu a uma sociedade de investimentos, daquelas que se preocupam bastante com a preservação do património e o bem-estar cultural das populações. Ora, a maledicência é tanta que até há quem acuse a edilidade de estar a pôr em causa um antigo projeto de aí fazer uma segunda fase de um Centro Museológico do Tempo, iniciado com a recuperação da Torre das Cabaças.

Li até num comunicado recente, de um grupo de pseudo informados, que: “… o Município possui um vastíssimo património de relógios – peças únicas, algumas sem igual no mundo – que as adquiriu com o propósito de os expor nesta 2.º Fase do Museu do Tempo, a implementar através da extensão para este edifício adjacente (até agora propriedade da Câmara), e que seria um valioso contributo para a promoção da cidade e do Concelho…”

Ora, esta gente que faz estes comunicados a deitar abaixo tudo o que a Câmara faz, com tanto amor e dedicação ao património histórico da nossa bonita cidade, não enxerga para além das suas pequenas vistas de “ Velhos do Restelo” como muita gente lhes chama e, com razão, diga-se.

Haverá no País algum executivo camarário que tenha tamanha visão, tamanho empenho e inteligência, como este nosso que, em boa hora tomou conta dos destinos desta Capital do Gótico e da comezaina?

Quem, de boa-fé, pensaria em fazer um Museu do Tempo junto dos principais monumentos históricos da cidade: a Igreja de S. João do Alporão e a Torre das Cabaças?

Para mais o tal edifício está a cair e a Câmara fez muito bem em o vender antes de tombar de vez, evitando cobrar a si própria um IMI daqueles a doer. Esperto este Presidente.

Despachou o mono e espero que saia de lá um restaurante de jeito, ou até uma tasca gourmet. Sim, que a capital da gastronomia vai ter, certamente aí, um restaurante de referência que irá fazer frente aos congéneres de Almeirim com um prato especial.

Qual Sopa da Pedra? Santarém poderá ficar famosa com a sua “Sopa de Relógios”. Ingredientes e temperos, parece que não faltam…

Manuel Rezinga

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